Brasão de Aveiro

30-09-2020 158 Visualizações Património, Imaterial

 

Brasão de Aveiro

 

 

Das primeiras imagens do Brasão de Aveiro constam as armas de Portugal pintadas da seguinte forma: as armas de Portugal e por baixo uma águia com os pés sobre ondas, as asas estendidas e tendo no peito um escudete ordinário com a esfera. A antiga Fonte da Ribeira (vulgo, Fonte da Praça) arruinou-se em 1858 sendo substituída, no ano seguinte, pela atual Fonte da Praça do Comércio*. Nesta fonte estão as armas de Aveiro, gravadas numa grande lápide e da seguinte forma: escudo oval sobre manto real abeto; no centro uma águia com uma coroa imperial e com as asas abertas e os pés sobre ondas; do lado direito as Quinas em escudo ordinário e do esquerod a esfera; a contrapostas, duas estrelas de sete raios e duas meias luas com as pontas voltadas para o interior do escudo. O Brasão é encimado pela coroa real. 

 

Um pouco da história...

 

No início do ano de 1759, reuniram-se na, extinta em 1835, Igreja de S. Miguel (então igreja matriz de Aveiro) o senado, nobres e o povo da então Vila de Aveiro. Ali, e na presença de frei Paulo Pedro Granado fizeram um solene protesto com o intuito de ficarem imediatamente sujeitos ao governo da coroa, em vez de continuarem a viver sob a tutela de donatários - mostravam assim forte ressentimento pelo atentado (ocorrido a 3 de setembro de 1758) atribuído ao Duque de Aveiro. O el-Rei D. José I, lisongeado com tal protesto elevou Aveiro à categoria de cidade, por alvará de 26 de julho de 1759. Nascia assim a cidade de Aveiro. Talvez para fazer esquecer o título do Duque de Aveiro e porque os aveirenses o requereram o nome da cidade foi mudado para "Nova Bragança".

No entanto, esta alteração durou pouco. Tendo subido ao trono D. Maria I, em 24 de fevereiro de 1777, tratou logo de anular muitos dos atos do reinado antecendente. Foi, assim, reposto a Aveiro o seu antigo nome, mas conservadas as honras e categorias que D. José I lhe concedera e talvez por causa destas categorias a Câmara de Aveiro tomou a resolução de lavrar as armas de Aveiro como se acham na Praça do Comércio.

 

A atualidade...

 

Partindo de um manuscrito, ainda existente na Torre do Tombo, e com base no Brasão existente na extinta Fonte da Ribeira nasce o Brasão da cidade de Aveiro. Mantendo as Quinas Reais, dando assim a entender a importância de Aveiro, surge nesse manuscrito, de forma descunhada, as armas de Aveiro da maneira seguinte: "sobre campo verde, uma ave de prata; à direita um sol de ouro e à esquerda uma lua de prata. 

A cor verde do campo talvez queira indicar a fertilidade e verdura dos campos de Aveiro; o sol à direita talvez simbolize o dia, assim como a lua, à esquerda, simbolize a noite, como para recordar que os aveirenses tomaram parte nas glórias em que os portugueses se distinguiram. As 5 estrelas é possível que seja para lembrarem que os aveirenses também se distinguiram no comércio e nas descobertas marítimas em todas as cinco poartes do mundo.

Nesta base têm sido pintadas, descritas e esculpidas as armas de Aveiro, mas em todas a ave é um emblema obrigado. 

 

Fonte Praça Comércio - atualidade (Fotografia Júlio Lopes)

 

 

Para saber mais: consultar "Aveiro - origens, brasão e antigas freguesias", de José Reinaldo Rangel de Quadros, 1984, páginas 24-40.

 

 


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